O levantamento florístico é o estudo que identifica, mede e localiza as árvores de uma área antes de qualquer intervenção. Além disso, ele verifica a ocorrência de espécies ameaçadas e classifica o estágio de regeneração da vegetação. Em obras de saneamento, é a base técnica do pedido de autorização de supressão de vegetação junto ao INEA.
A Ambiental & Drone conduziu esse trabalho para a implantação de uma estação de tratamento de esgoto (ETE) em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Conforme termo de referência do órgão licenciador para este estudo, a metodologia adotada foi o censo arbóreo, que consiste no levantamento de 100% das árvores no terreno, procedimento geralmente exigido em processos para autorização de supressão de vegetação (ASV) no Rio de Janeiro.
Mesmo sendo obra de interesse público, a ETE não dispensa autorização para suprimir vegetação da Mata Atlântica. A exigência vem da Lei nº 11.428/2006 e do Decreto nº 6.660/2008. A Resolução CONAMA nº 237/1997 define o rito do licenciamento ambiental. No Rio de Janeiro, a Resolução CONAMA nº 06/1994 traz os parâmetros de estágio sucessional, e a Resolução INEA nº 89/2014 trata da reposição florestal.
A área de intervenção fica em Duque de Caxias e tem cerca de 91,8 mil metros quadrados, ou 9,2 hectares. O terreno é predominantemente plano e faz limite com um curso d’água, preservado por um recuo de aproximadamente 15 metros. Em campo, encontramos um mosaico de fisionomias: áreas abertas com gramíneas, capoeiras e trechos mais úmidos, além de manchas de espécies exóticas.
Não havia Unidades de Conservação sobrepostas ou limítrofes à área. Por outro lado, o perímetro mostrava sinais de ação humana, como queimadas e descarte irregular de resíduos. Esse histórico ajuda a explicar a composição da vegetação e orienta a análise.
Cada árvore recebeu plaqueta numerada e coordenadas por GPS de precisão. Registramos espécie, circunferência, altura e estado fitossanitário. Em seguida, calculamos área basal e volume lenhoso por equação publicada pelo IBGE para a Mata Atlântica. Por fim, verificamos cada espécie na Portaria MMA nº 148/2022, na lista estadual do INEA e na Lista Vermelha da IUCN.
A Lei da Mata Atlântica trata cada estágio de regeneração de forma distinta. A compensação do art. 17 vale para os estágios médio e avançado, enquanto a supressão em estágio inicial é autorizada pelo órgão estadual, conforme o art. 25. Por isso, classificamos a vegetação pelos parâmetros da Resolução CONAMA nº 06/1994, com apoio em índices de diversidade. Essa análise dá ao INEA uma base verificável para decidir sobre a autorização de supressão de vegetação.
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